27.12.12




E o aperto encontra-se lá. Miudinho, sorrateiro, arrastando-me lentamente para o fundo como um formigueiro inquieto. E eu pergunto-me se tenho o direito de me sentir assim. Se não serei demasiado cobarde, demasiado picuinhas, demasiado fraca e demasiado inútil para não virar a cara quando ele, descuidado, mostra as suas pontas. É que sabes, a luz por vezes torna-se tão fraca que os meus olhos nem sequer são capazes de a captar. E eu não sei sentir o que sinto. Não sei pegar nos flocos de afeição que caem nas minhas mãos e captá-los para sempre. Muito menos quando eles teimam em cair naqueles sítios mais aterradores. Naqueles onde a sombra cobre a cor, e me derrete o âmago com a facilidade de uma inspiração. E isso faz de mim alguém vazio, não faz? Alguém incapaz de calar as vozes, e os medos e de erguer a cabeça. E eu só gostava que tudo parasse de girar. Que todos os gritos, todos as lutas, todos os sufocos e suspiros desenfreados voltassem ao lugar onde pertencem, e deixassem a confusão descansar fúnebre nas minhas mãos. E isso, agarrado impetuosamente às correntes da minha própria cobardia, faz de mim alguém inútil, não faz?

lau

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