O meu coração cálido encolhe-se à medida que o vento
lancinante o ameaça dilacerar. É que sabes, b, eu já não aguento mais segurá-lo
tremulamente nas minhas mãos. É demasiado pequeno e frágil, e as suas batidas
fazem-se ouvir tão abafadas que me questiono se ele alguma vez voltará a ser o
mesmo. E eu tenho medo. Muito medo que a minha cobardia ou fraqueza o faça
perder-se de novo, e deslizar fúnebre até ao chão. É que se ele se partir outra
vez, eu não serei capaz de o cicatrizar. Não desta vez, não de novo. E tu não
estás cá comigo. Não mais, para o levantar cuidadosamente do chão, me dar um
beijinho na testa e fazer tudo ficar bem. Por isso, b, eu não posso mais
segurá-lo. Não, quando eles continuam a querer destruí-lo de forma tão inconsciente
e inata, que me custa a acreditar que alguém seja capaz de tal crueldade. Transformam-se
em criaturas medonhas aos meus olhos, sabes? Muito mais vis que os monstros
debaixo da cama, ou ao fundo da rua, e dolorosamente mais necessários para mim
do que qualquer outro monstro que alguma vez já tive de enfrentar. Por isso,
desta vez, eu vou guardar o meu coração bem fundo no amago e esperar que eles
não o tornem a encontrar. Pelo menos não tão cedo. Não enquanto eu não aprender
a sobreviver sem ti.
lau.